domingo, 14 de julho de 2013

Registos do debate do dia 10 junto à Ponte do Bico

As descargas ilegais no rio Cávado, o aproveitamento da margem do rio para zona de lazer, as escórias das antigas fábricas Alpor/Recial, o aproveitamento hidroeléctrico de Ruães e o futuro do palácio Dona Chica foram apenas alguns dos temas abordados pela associação num encontro com os líderes das candidaturas à Câmara de Braga. Estiveram presentes Carlos Almeida, Inês Barbosa e Vítor Sousa, líderes das candidaturas da CDU, Cidadania em Movimento e PS, respectivamente. As outras duas candidaturas convidadas "Coligação Juntos Por Braga" e PCTP/MRPP não compareceram.
O Presidente da direcção, Manuel Duarte, começou por lamentar que o rio Cávado esteja ser “ostracizado”, desde logo porque não está a ser aproveitado e defendido como merece. Recordou que há muitos anos se fala do aproveitamento da margem esquerda do Cávado para lazer. Vítor Sousa, que estava ali “como candidato” explicou que estando por dentro dos processos na câmara tinha de esclarecer que já avançou a reabilitação da margem do rio Cávado na freguesia de Merelim São Paio. Para Palmeira já há projecto, mas falta o principal: o financiamento. “Aguarda-se a oportunidade de obter financiamento através de fundos comunitários”, frisou. A candidatura Cidadania em Movimento avançou com algumas propostas. Entre elas, a criação de corredores verdes seguindo as linhas de água com vantagens ao nível ecológico e social que permitiriam espaço para recreio e lazer. A abertura de vias de circulação alternativas, pedonais e cicláveis, contribuiria para a preservação e valorização do património histórico, cultural e ambiental de forma a garantir a qualidade estética e a paisagem. Outra proposta, mais simples, passa pela criação de um circuito específico de autocarros durante a época balnear que percorresse as várias zonas ribeirinhas do rio Cávado dentro do concelho de Braga, designadamente, Cavadinho, Navarra, Adaúfe, Palmeira, Merelim e Padim da Graça. Deste modo, “pretende-se permitir um acesso mais facilitado e a fruição dos espaços por parte dos cidadãos bracarenses e dos turistas”, explicou a candidata.
A associação mostrou-se ainda preocupada com a poluição de que o rio Cávado tem sido alvo, nomeadamente descargas ilegais, reclamando uma postura mais activa por parte da câmara e da Agere. Mais uma vez, Vítor Sousa explicou que a autarquia pode apenas denunciar estas situações, uma vez que há autoridades competentes para essa matéria.
Revelou, porém, que a GNR já identificou um dos possíveis poluidores, tendo para o feito contado com a colaboração da Agere. Tanto Inês Barbosa como Carlos Almeida criticaram o “lavar de mãos” da autarquia, realçando que pode não ser competência da câmara resolver este assunto, mas que os cidadãos e as associações gostariam de ter uma intervenção mais activa do município no sentido de ver os problemas resolvidos.
Outra questão denunciada diz respeito a ilegalidades no funcionamento da hidroeléctrica de Ruães onde é exigível que as instituições correspondentes actuem e que se aplique a efectivamente a lei.
Preocupante é também a lixeira onde estão depositadas as escórias de alumínio das antigas fábricas Alpor/Recial. Este é um tema que já se vem arrastando no tempo. Carlos Almeida recordou que a CDU já em 2008 fez uma intervenção na Assembleia da República sobre esta questão, mas o que é certo é que as toneladas de resíduos continuam depositadas a céu aberto.
Classificado em 8 de Março de 2013, o Palácio D. Chica é outra das preocupações da associação que teme pelo abandono de uma construção única e de valor incalculável.
Outra das questões abordada, prende-se com a escassez de espaços verdes nos novos loteamentos onde se impõe mais espaço às áreas verdes para atenuar as florestas de cimento.
Manuel Vieira, presidente da Assembleia- Geral, alertou para a necessidade de se restituir o espaço à população. Em 1986, esteve incluído no projecto ambicioso que previa a construção de equipamentos diversos envolvendo a Quinta de S. José, em Palmeira. Incluía a construção de uma piscina, court de ténis, um campo mini-golf, um campo de futebol com pista de atletismo, um pavilhão gimnodesportivo e uma zona pedonal. Para o Palácio D. Chica estava previsto um posto médico e um auditório para festas ao ar livre. Na altura, a Junta de Freguesia de Palmeira conseguiu adquirir o palácio. Em 2001, o projecto sofre alterações profundas com a revisão do Plano de Desenvolvimento Municipal, transformando a Quinta de S. José num terreno para “construção maciça” com 170 habitações. Manuel Vieira acusou os “interesses económicos de assassinarem um projecto que iria beneficiar e muito a população” em Palmeira.