terça-feira, 26 de março de 2013

Alerta para as inundações decorrentes do funcionamento irregular da Hidroeléctrica de Ruães

Como é público, a Hidroeléctrica de Ruães apresenta condições de funcionamento irregulares. Hernãni Monteiro, sócio da Katavus, tem alertado, por várias vezes, as entidades competentes para a situação que condiciona o volume legal do caudal do rio. Mais uma vez, vem a alertar para o que presentemente se verifica a jusante da Ponte de Prado devido às actuais condições climatéricas. Aqui deixamos o seu alerta para quem de direito aja em conformidade:

"Venho através do presente transmitir-lhe que a população que vive na Rua João Dias Soares, freguesia de Merelim (São Paio), concelho de Braga, vive no dia de hoje em completo sobressalto, temendo pelas suas vidas e pelos seus bens.


Os campos agrícolas estão completamente inundados e os regatos completamente cheios.

Isto fruto das fortes chuvas que estão a cair e pelo facto do promotor do aproveitamento hidroelectrico de ruães, Mire de Tibães, Braga, ter colocado sobre a crista do açude uns pranchões com a altura de 50 (cinquenta) centímetros e passando o rio cávado sobre o mesmo em mais 30 (trinta) fazendo elevar a cota do rio para cerca de 22 (vinte e dois) metros, ultrapassando o legalmente permitido que é de 19.46 (dezanove metros e quarenta e seis centimetros).
Este comportamento coloca-nos a tos em risco assim como a população da Vila de Prado, concelho de vila Verde".

domingo, 24 de março de 2013

Registos do "Passeio pela água" no Dia Mundial da Água

No passado dia 22 de Março, a Katavus celebrou o dia Mundial da Água com um passeio ao longo da margem do rio Cávado. A caminhada iniciou na Praia Fluvial de Adaúfe, percorrendo-se a margem do rio até à zona do Ponte do Bico em Palmeira. Posteriormente fez-se o percurso inverso, contabilizando o percurso cerca de seis quilómetros. Este evento contou com onze participantes, que decidiram desafiar as chuvadas que uma hora antes ocorreram e demoveram a participação de outros elementos inscritos.

Esta iniciativa tinha como principal objectivo assinalar a importância da água doce no contexto da sustentabilidade dos recursos hídricos para o futuro dos seres vivos. Paralelamente, a organização pretendia dar a conhecer a zona ribeirinha do troço que une as grandes azenhas situadas nas áreas de lazer de Adaúfe e Palmeira. Neste âmbito, este evento, para além da sua componente lúdica, permitiu dar a conhecer o importante património arqueológico ligado ao aproveitamento da energia hidráulica (azenhas, açudes, engenhos de rega, abrigos de animais), as pontes, os portos fluviais e demais construções. Em termos ambientais, a Katavus, para além da grande beleza paisagística do troço, pôde registar infelizmente os maus cheiros exalados da água nalguns sítios e os focos de poluição industrial escondidos na vegetação marginal.

As azenhas/ açudes, são testemunhos vivos da nossa história e guardiões de um passado onde a actividade agrícola ocupava grande parte da populaçãoNa praia fluvial de Adaúfe existem três azenhas. Uma delas de considerável envergadura que, não exercendo a função de moagem de cereais, para a qual foi construída, continua a ter a sua roda a funcionar. A mesma que faz trabalhar, no verão, o raro engenho de rega de ferro com roldana que faz elevar a água em grande altura. A restauração do telhado desta azenha foi infeliz, por causa da utilização de cimento na cobertura. A soberba azenha localizada junto à Ponte do Bico continua no seu estado de ruína  esperando melhor sorte. Tanto uma como outra mereciam  melhor atenção, devendo ser restauradas por serem testemunhos físicos importantes da industria pré-industrial da região. 
No Lugar de Vale, a meio caminho das duas azenhas, localiza-se o "paredão de Vale", que não é mais do que a estrutura restante de um porto fluvial com 3,5 metros de largura na face que ligava as margens do concelho de Braga ao de Amares.
Em termos patrimoniais deve também assinalar-se a Casa das Máquinas da antiga Central Elevatória da Ponte do Bico construída nos inícios do século XX.
Esta caminhada serviu, por conseguinte, para analisar o estado de conservação da natureza nas margens. De facto, o cenário encontrado foi desolador, existindo diversos focos de poluição industrial e doméstica ao longo da margem na freguesia de Adaúfe. Não sendo situações de fácil controlo, estes atentados naturais deveriam merecer maior fiscalização da delegação da GNR/SEPNA.
O cheiro da água junto à Ponte do Bico, denunciava a descarga de esgotos local. Na área de lazer de Palmeira, a placa referente à operação de limpeza da AGERE estava derrubado  porventura devido aos fortes ventos que se têm vindo a sentir.